TUDO ACEITA E NADA MERECE

domingo, 3 de agosto de 2008

Vá de transportes públicos. Goze a viagem

Todos estamos fartos de levar com slogans deste tipo – agora, a propósito dos sucessivos aumentos dos combustíveis; e parece que a coisa pegou, um bocado por moda, um bocado por ser mesmo verdade o facto de cada vez ser mais difícil encher o depósito.

Vamos à nossa “investigaçãozinha”:

Em Paris, os metros e os RER’s (tipo linhas de Sintra, Cascais e Azambuja), profusamente utilizados pelos parisienses, têm uma particularidade interessante: Nas horas de ponta, quando o “rabo” de um comboio está a desaparecer pelo túnel de saída, já o “focinho” do seguinte assoma pelo de entrada. São cerca de 30/40 segundos de intervalo. Aqui, na mesma hora de ponta, os tempos medem-se por 5/7 minutos (no mínimo) entre comboios urbanos (metro). Dos suburbanos nem vale a pena falar; isto se não formos confrontados com “problemas técnicos que provocam atrasos nas linhas”, qualquer que seja a cor. Estimulante pá…

Por questões pessoais tive necessidade de me deslocar ao Fórum Montijo em dois dias consecutivos. Ao carro preferi os transportes públicos. Eh Eh Eh…

De barco: Duas horas divididas por metro, barco e dois autocarros.

Episódio curioso na Transtejo. O barco chegou com 20 minutos de atraso em relação (pasme-se) não ao horário de chegada, mas ao de saída. Os passageiros entraram e seria normal que o barco partisse (já com cerca de 26 minutos de atraso). Nem pensar. Com os tripulantes alegremente em conversa ainda esperámos mais 17 longos minutos. Por curiosidade perguntei a um deles o motivo da demora. Simples. O Contrato Colectivo de Trabalho permite-lhes sempre 15 minutos de descanso mínimo entre cada viagem. Profissões perigosas? Altamente desgastantes? Não, apenas o cumprimento do CCT.

Ou seja: Por qualquer motivo um transporte atrasa e não é recuperado nas viagens seguintes.

Reconheçamos que é difícil atribuir culpa a esta malta. Viveram anos e anos com a mania dos direitos adquiridos, com o primado do trabalhador sobre o passageiro, a quem foi sempre atribuído o epíteto de utente em vez de cliente. São mauzinhos mas ganham mal, vestem fatos de treino fluorescentes e passam as folgas a passear entre corredores dos shoppings. Já os administradores, carregados de cartões (partidários e de crédito), BM’s ou AUDI’s, prémios de produção (mesmo com resultados negativos) são a maior merda que Deus ao mundo deitou. Como têm o “deles” (bem) garantido, estão positivamente a cagar-se para o assunto. Fosse algum de nós ( a Escória – finalmente – ao poder) e andávamos em cima desses “trabalhadores” que nem cães. Provavelmente por pouco tempo porque “isto” não está para politicamente incorrectos.

Porreiro pá…

2 comentários:

Joana Nicolau disse...

A propósito deste assunto, aqui está a notícia sobre as tais "portagens diferenciadas" que supostamente vão reduzir o tráfego automóvel em Lisboa: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=357992&visual=26&rss=0

Eu quero saber é, onde é que diz na portaria, que os transportes públicos têm de melhorar o seu funcionamento estupidamente ineficiente.

Vou contribuir com outro exemplo. Eu moro na Portela, onde não existe metro (e não vai haver. O metro está projectado para Moscavide, que nem chega a metade da população da portela), apenas autocarros.

Se por algum motivo eu precisar de ir apanhar um Expresso para algum sítio do páis (algarve, leiria, etc), terei de ir até à central de Sete Rios. Ora para ir até Sete Rios tenho duas alternativas.

Apanho um autocarro até ao Oriente (15 min entre cada autocarro + 15 min de viagem) e depois apanho a linha vermelha do metro até à Alameda (4-5 minutos de espera + 15 minutos percurso), depois a linha verde até à Baixa-Chiado (4-5 min de espera mais 10 min de percurso) e depois a linha azul até ao destino (4-5 min de espera + 20 minutos).

Total: Cerca de 90 minutos.

A outra alternativa é apanhar 2 autocarros, percorrendo alguma distância a pé (o que sem dúvida é muito prático quando se vai com malas e tudo). A duração é cerca de 70 minutos.

De carro é um percurso de 20 minutos. Digam-me lá onde está a competitividade desta m*rda de transportes públicos!

Zé Costa disse...

Porreiro pá!

Tenho dito.