TUDO ACEITA E NADA MERECE

sábado, 23 de fevereiro de 2008

À ordem da Tesouraria da C.M.L.

Sábado, 11h da matina: liga-me o sr. meu pai a dizer que o meu carro está a ser rebocado. Levanto-me à pressa, e a 50m da porta de casa confirma-se, lá estão os senhores da Polícia Municipal a tratarem o meu carro com muito amor e carinho.

Facto 1: o carro estava estacionado numa passagem de peões;
Facto 2: o carro não ocupava toda a largura da dita passagem de peões (isto é, em termos práticos, qualquer pessoa numa cadeira de rodas conseguiria passar);
Motivo: ao chegar ao meu bairro, de noite, não encontro um único lugar para estacionar (como é habitual) e chove a potes;
Multa: 60 euros pela contra-ordenação, mais 50 euros pelo reboque (que não chegou a levar o carro);

De minha justiça:

confere - o carro estava a violar o Art. 49º, nº1, alínea d) do Código da Estrada - como cidadão honesto que sou, mais ainda como estudante de Direito, nada mais poderia fazer se não confessar o ilícito. Mas, como natural, recenseado e morador do Município de Lisboa tenho muito mais a dizer.
Em primeiro lugar, dizer que tenho vergonha do que se passa, em matéria de trânsito, na minha cidade.

Vejamos o caso do meu bairro.
Há muito que os parquímetros não são mais do que urinóis caninos, situação que à partida até se afigura positiva, tanto para os amigos de quatro patas, como para quem nomeadamente circula na sua viatura alegremente pelo bairro. Pois é precisamente o contrário. Eu, como morador e, por tal, possuidor do dístico automóvel correspondente tenho, em termos práticos, direito a estacionar sem ter de pagar nas zonas sob tutela daquela bela empresa andrógena que dá pelo nome de EMEL.
O que sucede é que o meu bairro está para a EMEL como Barrancos está para a lei que proíbe touros de morte (Lei nº 92/95 de 12 de Setembro). Vivo, portanto, num enclave em que todos os lugares de estacionamento estão ocupados maioritariamente por quem não é morador e não tem o tal dístico. Eu, que o tenho e que para tal tive de o comprar, sou multado por me ver forçado a estacionar ilicitamente, já que todos os lugares de estacionamento estão ocupados, volto a dizer, maioritariamente por quem, ném dístico nem recibo de parquímetro tem.

Já fui multado pela EMEL noutras zonas da cidade, porque motivo quem está estacionado ilicitamente no meu bairro também não o é?!

A C.M.L. em vez de contrair empréstimos para pagar a supostos devedores, devia era por a EMEL a cumprir as funções para que foi criada e de certeza que no meu bairro descobriria uma boa forma de aliviar o passivo. Caso não o faça, também pode acabar com as assalariadas EMEL e Polícia Municipal, que de utilidade pública pouco têm.

Já eu, tenho é de começar a descontar logo à partida 110 euros da minha mesada, uma vez que ninguém me retirará o direito à mobilidade e à propriedade e uma vez que a situação provavelmente continuará na mesma - os cães nos parquímetros e as multas nos carros.

2 comentários:

Zé Costa disse...

Compreendo e acho que até tens razão, o que realmente é muito desagradável, é que antes de abrir a carteira já estar com menos 110 aerios.

escória-porco disse...

É preciso uma grande lata. Estes f.d.p. não percebem que se trata de uma Z O N A R E S I D E N C I A L ???? Vão mas é multar para a c.d.m. deles. Têm muito sítio por onde começar (por exemplo nos veículos da CML e dos Ministérios).