TUDO ACEITA E NADA MERECE

quinta-feira, 28 de junho de 2007

lol

Confesso - todos temos a nossa pequena perversão - que esta novela da disputa entre o Comendador B versus o último-integrante-da-lista-do-dr.Costa, me tem proporcionado momentos de indizível gáudio, ao imaginar a azia matinal do pedante "cultural" Mega, que sonhou ser Giga ou Tera, mas que não passa de um minúsculo bit. O nosso querido Chico ensinou-me a expressão "lol" do "internetês". Aqui vai um sonante "lollollollollollol".

segunda-feira, 18 de junho de 2007

a afirmação da cultura escória num mundo globalizado

textos como D.CARLINHOS I e PARA QUÊ GUARDAR LIVROS? são páginas vibrantes de cultura escória que mantêm vivo o ancestral grito libertador que num movimento perpétuo para sempre ecoa nos graniticos desfiladeiros do Gerês e do Soajo!
Estão pois de parabéns os seus criadores, lídimos escórias de primeireissima água, que contudo não nos surpreendem pois outra coisa não seria de esperar.
Tratam-se de 2 textos belissimos onde o hiperealismo escatológico nos transporta a ambiências verdadeiramente arrebatadores.
Páginas vivas em que as próprias palavras fedem a odores estonteantes e nos transportam a um limbo de magia.
Continuem pois a deliciar-nos com os vossos mimos literários que nós certamente não merecemos mas sofregamente aceitamos.

sábado, 16 de junho de 2007

Europa?

No meio dos meus afazeres de sábado olhei para a televisão no preciso momento em que um sacana de um israelita dava uma mocada de todo o tamanho no Nani.
Desde quando e com que direito é que estes cabrões fazem parte da Europa?

sexta-feira, 15 de junho de 2007

E o vencedor foi...

"Bosta" (título fruto da vontade do sénior porco)

No dia de Portugal ocorreu-me que: este país, como está, esta dita democracia em que vivemos perdeu, já há algum tempo, o que legitimava a arrogante posição crítica e de superioridade face ao antigo regime. Depois venham dizer-me que foi uma simples votação, num mero programa televisivo...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

D. CARLINHOS I

Tinha acabado de sair da Litografia onde exercia com mestria o seu munus. Vá lá saber-se como, a feijoada do almoço ainda continuava bem presente em frequentes assomos ameaçadores de ventosidades, portadoras daquele perfume a enxofre, metano e ovos podres que tanto prazer olfactivo proporcionam a quem os lança. Hesitou. Talvez ainda fosse possível chegar a casa, ao fim e ao cabo, quase ao virar da esquina. Não, era melhor não arriscar. Estugando o passo, uma vez que a monstruosa calda fervente ameaçava a todo o momento, qual vulcão estromboliano, rebentar a ténue protecção entrefólhica, encaminhou-se para a sua bem conhecida porta, procurando, sem se afastar um milímetro do percurso, um recanto mais escondido que lhe pudesse proporcionar uma alternativa, caso a cólica final chegasse mais rapidamente que o previsto. Felizmente conseguiu acercar-se da abençoada entrada. Imaginemos a tortura daqueles segundos, aparentemente diminutos mas um verdadeiro tormento, enquanto o raio da chave fazia tentativas para abrir o obstáculo final. No tempo em que a movimentação ritmada das passadas controlou a ira dos deuses da defecação a coisa foi andando. Uma vez imóvel, frente à horrível barreira, que teimava em resistir às voltas da chave milagrosa, as forças tremendas do magma merdolento ressurgiram num frémito verdadeiramente avassalador. Felizmente o monstro cedeu. Sem perder um segundo acelerou rumo à casa de banho, procurando, ao mesmo tempo, desfazer-se das calças e das cuecas. Aí chegado, sem sequer acender a luz, naquela penumbra de fim de tarde que entrava pela minúscula janela, pode, finalmente, excrementar e – oh céus – o prazer, a volúpia, o sétimo-céu, enquanto a massa fumegante se escapava roncante umas vezes, apenas sussurrante outras, deixando um vazio cada vez maior naquelas sofredoras tripas. Limpando um pouco o suor frio que se tinha apossado da testa, olhou em volta. Os olhos, até então semi-cerrados de gozo, começaram a habituar-se à pouca luz ambiente. Aí, surpresa das surpresas, exclamou ao vislumbrar o formato da outra louça sanitária que fazia par com aquela onde estava refastelado: “Tem piada, não me lembrava que esta cagadeira tinha duas sanitas…”
Com a pressa, sem acender a luz, tinha-se aliviado no bidé.
Carlinhos, contada por ti era simplesmente divinal.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Guardar livros para quê?

O velho Geadas vive lá na rua desde sempre. Pelo menos, desde sempre, que eu existo. É de certeza muito mais velho que a segunda guerra mundial e, já devia esgalhar a “sua” por altura da primeira. Tem uma cara enrugada de quem tem pelo menos cem anos. Os olhos são dum tamanho descomunal. Ou pelo menos parecem, a julgar pelo que se vê através dos vidros - fundo de garrafa, que ele pendura numa velha armação. Por detrás das orelhas e à volta da cabeça vê-se uma amálgama de cordéis que sustentam em precário e desengonçado equilíbrio, os óculos, a armação, o chapéu e quiça a própria cabeça que se prende ao tronco através dum finíssimo pescoço que é esguio como um eucalipto mas rugoso como um sobreiro.
Usa um velho chapéu de feltro o tempo todo. Dele pendem os cordéis como se fossem teias de aranha e que, não raro, lhe provocam comichão. Nessa altura, irritado, tira o chapéu e coça a cabeça e as orelhas, rematando o ritual com uma cuspidela nas mãos e, com a brilhantina improvisada, alisa três ou quatro vezes a careca e algumas farripas de cabelo. Reconfortado com a improvisada penteadela, volta a equilibrar o chapéu na cabeça juntamente com os cordéis e os óculos.
Seja Inverno ou seja Verão, faça frio ou muito calor, o velho Geadas nunca tira o seu sobretudo escuro de espinha de bacalhau e que há muitos anos atrás deve ter tido uma cor bastante mais clara. Hoje, pelo menos trinta anos depois de ter sido novo, o sobretudo parece uma enorme nódoa, manchada de pequenas nódoas que tanto podem ser gordura de comida, como dos intermináveis galões escuros, das bolas de Berlim, ou dos bagaços que lhe rematam o almoço. A gola está brilhante, com a camada de sarro que tem e, das mangas, tirava-se a gordura suficiente para estrelar ovos para uma casa de família. Na lapela um emblema do Oriental, o seu clube de sempre.
Já se sabia lá na Pastelaria do bairro que o velhote não tirava o sobretudo para fazer as suas necessidades. O Joaõzito, 8 anos, filho do Sô Manel e da Dona Rosa, donos da Pastelaria “Mimosa do Oriente” tinha a mania de espreitar por baixo da porta da retrete, e relatar o que via. Essa curiosidade também já lhe valera um bom par de tabefes do Vitorino, mecânico de profissão, que não achou piada ao divertimento do miúdo e lhe espetou duas berlaitadas nas ventas, perante o olhar resignado do pai e os berros de “ainda comes mais se voltas a fazer” da mãe. Mas não era necessária essa informação do Joãozinho pois ela estava bem patente no próprio sobretudo, quer através de áreas carcomidas pelo ácido úrico, quer das suspeitas manchas acastanhadas que o sobretudo exibia.
Será que o velhote dorme com o sobretudo? Não seria admiração por aí além mas quando acossavam o velhote com a pergunta este, rezingão e chateado, respondia que só dormia com ceroulas e pijama.
Das vezes em que o Joãozito conseguia roubar, por debaixo da porta da casa de banho, a bengala do velhote, ouviam-se um churrilho de impropérios, asneiras e ameaças que muito divertiam o puto e, causavam uma forte risada entre a clientela. Não havia então, grande respeito e consideração pela idade e, tal como com muitos deficientes, eram um motivo de chacota. O Geadas, quando podia, vingava-se, desfechando uma bengalada nas costas do garoto. Numas das vezes até lhe acertou na cabeça e provocou-lhe um respeitável galo que o livrou de chatices quase seis semanas.
O velho Geadas trabalhou 50 anos como fiel de um armazém de vinhos na zona do Poço do Bispo. Dormia frequentemente no próprio armazém, e aproveitava muito do tempo de vigília para a leitura. Era um verdadeiro viciado por livros policiais não se importando de os ler repetidas vezes, citando de cor as passagens e dizeres que mais o tinham impressionado. Nos primeiros anos de reforma continuou a ler com grande regularidade e sofreguidão. Tem uma verdadeira paixão por livros e pela leitura. Mas de há uns meses para cá as coisas estão a mudar. Agora, quem olhar para o Geadas, vê que ele rasga os livros que lê.
A manhã, é dedicada à leitura do Diário de Notícias, propriedade do café. O nosso amigo, lê as gordas da política, escarafuncha ao de leve notícias de escândalos, roubos, agressões e homicídios, passa os olhos pela necrologia a ver se encontra alguma cara conhecida e sobretudo para confirmar que a dele ainda continua ausente da fatídica coluna. Faz as palavras cruzadas e um ou outro passatempo que por lá encontre e está lido o jornal. À tarde, pega num livro policial que transporta no bolso do sobretudo. Já tem umas tantas folhas rasgadas mas o velhote retoma a leitura sempre no início. Lida a folha, rasga-a e coloca-a de lado, formando uma pilha à medida que a leitura avança.
- Geadas, porque raio é que você está a rasgar os livros? pergunto-lhe.
Ele responde-me com uma lógica que não me ocorrera:
- O que é que você quer? Com as dificuldades da vista e a idade que eu já tenho, não o vou ler outra vez e, ao menos assim, sei sempre em que página vou.

Estórias I

Tenho dedicado a generalidade das minhas “bostas” a temas da política actual. O nosso Teodorias (ao fim e ao cabo GRANDE TIMONEIRO da Escória) veio indirectamente afirmar-me que este blogue também serve para fixar factos da nossa memória pessoal, enquanto grupo, possuidor de um passado rico em acontecimentos, por vezes pouco conhecidos dos demais.

A partir dos meus dez anos comecei a frequentar os meios organizacionais católicos da então grande Paróquia do Coração de Jesus pelo facto de os meus dois irmãos, Adelino e Mário (dezasseis e treze anos mais velhos), serem dirigentes de organismos da Acção Católica.

Desses tempos recordo o “Círculo Cultural da Juventude”, patrocinado pelo padre Luís Aparício; reuniões e passeios culturais eram a principal actividade. Recordo alguns nomes (tudo malta, na altura, entre os 20 e os 40 anos): Além dos meus irmãos e das que foram suas mulheres (num dos casos ainda é) Celeste e Maria Teresa, o Fernando Cristóvão (que foi conservador do Convento de Mafra), as irmãs Celeste e Conceição Sequeira, os irmãos Fernanda Nunes e o (também ainda relativamente puto) Horácio, o Carlos Alberto Antunes dos Santos (irmão mais velho do José António), a Maria do Céu Paiva (do Guarda-Roupa), o já casal Daniel? e Maria do Céu Ricardo (os que foram, depois do 25 de Abril, juntamente com o Eduíno Gomes (Vilar) fundadores da AOC (Aliança Operária-Camponesa), que tinha alguns slogans que ficaram na memória (“Nem Kissinger nem Brejnev, independência Nacional” e “Cada voto na AOC (1976) é uma espinha cravada na garganta do Cunhal”) além de duas fabulosas vivendas (ocupadas) na Rua Eça de Queiroz), o Félix, o Moita (género “electrónico-morais”, sempre encarregue dos apetrechos técnicos), a (tia) Carlota, chefe do catecismo, o Carlos Alberto (tenente) entre outros que alguém (certamente) nos vai ajudar a “elencar”.

Outra organização a que pertenci, já pelos treze / catorze anos, foi a JOC (Juventude Operária Católica), igualmente dinamizada pelo Pe Aparício, juntamente com os Padres Morais Sarmento e Alexandre Nascimento (agora, respectivamente, Capelão da TAP (ainda será?) e Cardeal Emérito de Luanda).

Aí tive como camaradas, o Vítor Boal, o António Domingos, o João Resende, devidamente pastoreados pelo Emídio Sousa, mais tarde quadro da tendência católica da Intersindical.

Além da JOC existiam a LOC (Liga Operária Católica), presidida pelo Sr. Ferreira (pai do Carlos Abreu Ferreira) e as mesmas organizações seguidas do “F” de feminina.

Para quem não sabe, estes grupos católicos utilizavam o mimetismo com o PCP, como norma organizacional: Nós éramos “camaradas”, ao aderir tornávamo-nos “militantes”, as secções paroquiais designavam-se por “células” e até o líder se chamava “controleiro”.

Fundados pelo padre belga Joseph Cardjin, no inicio do século XX, procuravam ajudar a juventude operária a lutar pelos seus direitos, lutando, ao mesmo tempo contra o comunismo, com a divisa “VER, JULGAR e AGIR”.

Só mais tarde, em 1970, descobri o Círculo Juvenil (que já vinha de 1966), liderado pelo José Carlos Amador Rebello.

TEMPOS DIFICEIS

Vivemos tempos dificeis e o perigo espreita em cada esquina.
Procuramos sobreviver, ultrapassando os cinquenta mas todo o cuidado é pouco!
Pela minha parte deixei de beber coca-cola desde que descobri que a dita serva para tirar manchas da sanita.
Deixei de ir ao cinema com receio de me sentar numa agulha infectada com SIDA (que saudades do Palhinhas!)
Deixei de usar desodorizantes, (não por causa do buraco do ozono...) porque provocam cancro e por isso já começo a cheirar ao refogado do saudoso 90 e isso está-me a estragar uma promissora carreira .
Quando vou a uma qualquer recepção, já não olho para mulher alguma, por melhor que seja, com medo que ela me leve para o hotel, me drogue e me retire os rins para traficar.
Quis-me armar em escória-porco e doei as minhas poupanças à conta da Kátia Vanessa, uma menina doente que esteve a morrer no hospital da Estefânia...aproximadamente umas 7.000 vezes (é engraçado, esta menina tem 8 anos desde 1993...)
Também deixei de atender números anónimos com medo de uma voz sedutora me pedir para discar um número esquisito e receber uma conta de telefone infernal com chamadas para o Uganda, para Singapura ou para as ilhas Fidji.
A propósito de telefones... o meu Nókia grátis nunca chegou, nem as passagens que eu e a familia tinhamos ganho para uma férias pagas na Disneylandia.
Enfim...uma espiral de sacanagem que nos atormenta a alma e nos retira a bonomia de outros tempos.
Somos peças inertes de uma engrenagem infernal.
Um mundo cruel, globalizado e insuportável dominado pela elite

Que fazer?

SÓ O ESPIRITO ESCÓRIA NOS PODE VALER.