TUDO ACEITA E NADA MERECE

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Comprar português?

Todos os anos, por esta altura, sou assaltado por uma perplexidade que roça o inconcebível.

Normalmente, ao pretender premiar, com uma lembrança, as pessoas que pacientemente gravitam à volta da minha filha mais pequena (entre auxiliares, professoras de natação, ballet, hip-hop, etc... etc... são cerca de quinze pessoas), opto pela velha fórmula dos chocolates. Sendo a quase totalidade mulheres, são prendas que ficam mais ou menos bem.

Aqui chegado procuro privilegiar os produtos nacionais. Ora, para meu espanto, descubro que só temos uma fábrica, a Imperial, e a marca Regina. Depois - qualquer um pode comprovar - o mesmo tipo de chocolate, com embalagem parecida, custa cerca de cinco euros (Regina) e em alguns casos menos de metade para a miríade de marcas (francesas, suiças, espanholas, belgas, alemãs) que pululam no nosso comércio.

Quer dizer: quinze vezes cinco euros são setenta e cinco mocas; quinze vezes dois euros e meio são trinta e sete mocas e meia.

Porquê? Se os nossos operários ganham menos, se as distâncias a percorrer, em termos de logística, são muito inferiores, se a procura é grande (caso contrário não haveria tantas marcas estrangeiras), como é que se explica esta discrepância?

E atenção. Um chocolate não é um carro, nem um sofisticado aparelho de controlo médico. É aparentemente algo que deve ter um tipo de produção relativamente pouco complexa. Nem a concorrência vem da China ou do Vietname.

Isto está mesmo uma bela merda!

Porreiro pá!

1 comentário:

Joana Nicolau disse...

Há muitos motivos pelos quais a produção nacional é, regra geral, mais cara. Entre eles: processos produtivos desactualizados e menos eficientes, menores economias de escala, falta de diferenciação e uma profunda imbecilidade naqueles custos de estrutura (i.e., administrações, festinhas, prémiozinhos de desempenho e o que quer que seja que se lhe chame) que não dizem respeito ao produto mas que lhe são imputados porque têm de se pagar de alguma maneira.

Na minha opinião, a subsídio-dependência é um dos maiores cancros do nosso (imberbe) tecido empresarial (vulgo, PMEs).