TUDO ACEITA E NADA MERECE

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A GREVE

Como utente diário da linha amarela do metropolitano fiquei f….. (podemos traduzir por furioso) quando bati com os "números" (chiffres, em francês. Agora, após o “jámé” do Mário Lino, (AML (após Mário Lino) onde o A tem a vantagem de ser internacional (APÓS, APRES, AFTER))) (penso que os parêntesis anteriores estão bem fechados), todos podemos dizer blagues na língua de Sarkosy (não é húngaro porque essa é a língua do pai e é mais actual que dizer na língua de Racine ou Victor Hugo (o verdadeiro, não o Cardinali)).

Como já me perdi, recomeço na altura em que percebi que os avisos afixados na véspera e que garantiam os chamados Serviços Mínimos eram treta, o que me obrigou a percorrer a pé (só faz bem, não é?), entre impropérios (meus e dos restantes transeuntes, onde incluo várias cavalheiras com os calcantes enfiados em sapatos de salto altíssimo, o que é muito interessante porque as obriga a terem um certo ar dengoso) o trajecto entre o Campo Grande e o Marquês, porque os autocarros, embora circulassem, o faziam à velocidade de gastrópode.

Curiosamente (sinais dos tempos) ouviam-se pouco as normais expressões de “filho da puta” ou “paneleiro de merda”, não fosse algum bufo, imaginando-se já numa cidade de Lisboa controlada pelo Comissário Costa, considerar a Avenida Fontes Pereira de Melo uma extensão das Públicas Conservatórias do Registo Civil, aí localizadas, tratar de denunciar o prevaricador à Polícia Municipal, como ofensor de alguém de que, obviamente, (mais uma vez, sinais dos tempos) não vou referir o nome. Vou chamá-lo “ o herdeiro” porque já li imensas anedotas (pretensamente originais) que já vêm do Américo Tomás, passaram para o Samora Machel antes de aterrarem no velhinho 40 da Rua Castilho. Alguns (e também o Júlio César) percebem esta ligação.

Aí (no Marquês), felizmente, pude apanhar o “meu” 48 onde, embalado pelas leituras sucessivas do “metro”, “destak” e “diário desportivo” e beneficiando da fantástica redução do trânsito à superfície, motivada pelo túnel, me deixei transportar até Miraflores.

Já pela noite dentro pude finalmente (não) perceber a extensão da dita greve geral pelas palavras dos secretários de estado, em nome do governo, e do inefável Carvalho da Silva, pela CGTP.

Realmente uma coisa é verdadeira: O Sócrates, apesar da licenciatura saída na farinha amparo (não posso ser perseguido porque esta frase é do Marcelo Rebelo de Sousa na televisão) tem um ar fino; mesmo que não o seja parece mesmo um doutor ou engenheiro.

Já o Carvalho da Silva, licenciado em Sociologia pela Nova e doutorando, na mesma vertente, pela mesma universidade, por muito que se esforce (será da companhia), continua a ter aquele ar de electricista boçal. Se calhar é por isso que o Jerónimo o quer sanear para o substituir por um verdadeiro camarada sempre sempre ao lado do povo trabalhador, que, tal como ele não queira passar-se para o lado dos dê-erres.

Se calhar ainda vamos tê-lo, quando se reformar do sindicalismo, na Quadratura do Círculo, isto se este programa deixar de ser poiso apenas dos designados partidos democráticos (PS/PSD/CDS), provavelmente o último resquício do léxico PRECiano ainda em vigor.

Já agora (um aparte) o Jerónimo (nesse aspecto) até é um tipo sério: Também podia facilmente ter obtido um grau de doutor (por exemplo em Petróleos) na antiga URSS, com diploma e tudo e evitar o incómodo de ser o único tratado por “senhor” nos debates televisivos.

Voltando à vaca fria, se a CGTP averbou uma derrota nesta greve, também o governo não pode começar a considerar-se vitorioso, utilizando a velhíssima fórmula de “as abstenções contarem a favor”, ou seja, quem não fez greve é porque é contra a greve.

Este governo, mais do que qualquer outro, tem a seu favor o aumento exponencial da precaridade, aliado à novel espada de Demócles que pende sobre as cabeças dos funcionários públicos. Por alguma razão foram os tipos do metro, que beneficiam de um estatuto particular, porque não são funcionários públicos mas funcionários de empresas públicas, os médicos e enfermeiros, profissionais que, por fazerem falta, não podem ser penalizados e os empregados de autarquias, igualmente com um estatuto especial, que mais “engrevaram” no passado dia 31.

Que fazer? Dou uma sugestão. Para a próxima os Sindicatos façam uma greve virtual. Toda a gente vai trabalhar normalmente - o que é óptimo porque ninguém perde o salário - e, quem quiser aderir, coloca um autocolante na lapela com a frase “Estou em greve”, podendo fazer pequenas manifestações na hora do almoço ou após a saída.

O efeito televisivo será muito maior, a CGTP lucra uma data de massa com os autocolantes e, como é fácil, muito mais gente vai aderir. Ainda por cima sem consequências legais.

Estamos no século XXI. Evoluam senhores doutores sindicalistas.

3 comentários:

Joana Nicolau disse...

Ora nem mais, excelente proposta.

Aproveito para sugerir uma adenda à ideia, nos seguintes moldes:

1 – Além de autocolantes, a CGTP devia vender a um preço acessível fotocópias com números e gráficos aleatórios (os relatórios financeiros do Túnel do Marquês ou a auditoria às contas da câmara de Gondomar são boas fontes) para remexer e rabiscar quando o patrão for a passar, com intuito de aparentar trabalho árduo, o que, na realidade, aumentaria o número de horas de protesto efectivo.

2 – Decorar algumas frases-chave é o ideal para conseguir sair mais cedo das reuniões inevitáveis. Bons exemplos serão: “A direcção faz falta”, “Mudar a produção para melhor”, “A empresa a sério”, “Unir a força de vendas”, “Uma gestão alternativa”. Cuidado, utilizem apenas uma ou duas frases, caso contrário fica a ideia de que se está a discutir algo importante e nunca mais se livram daquilo.

3 – Se já têm mais de 55 anos, não se chateiem, estão automaticamente abrangidos na "greve dentro dos parâmetros legais". Ao contrário da crença popular, 'Senilidade' e 'trabalho' só são compatíveis na legislação em vigor.

Bom fim de semana para a escória :)

Chico disse...

Cheira-me que nao tarda o Presidente tem de começar a pensar num jantar para esta Doutoranda...

Joana Nicolau disse...

Ainda sou licensianda, mas estou mesmo a ver chegar o dia e um certo escória ainda me vir com a conversa do "não são jantares para uma menina da tua idade".

Qualquer dia estou a pagar-lhe o lar e ainda a ouvir isto :)