Em resposta ao meu caro amigo Chico
C/c: MAE em geral,
Chega pois a hora de fazer a minha primeira intervenção pública e oficial neste nobre blog (poiso e elo de ligação dos mui nobres membros do MAE), algo que farei procurando não ferir as sensibilidades dos seus membros nem afrontar a tradição e ordem estabelecidas.
Antes de mais, quero demonstrar os meus sinceros respeitos pelos seus membros e antecessores, e jurar de mão sobre o coração a minha total lealdade aos três princípios da Escória, assim como ao Princípio Supernovo, que considero de soberba relevância idiossincrática, uma vez que reafirma o indelével denodo Escória.
Após esta humilde demonstração de lealdade e compromisso, quero passar à fase seguinte desta minha intervenção, que consiste na defesa do meu “movimento insurrectivo legitimado por um post do nosso Porco”.
O motivo da insurreição, nada me custa acendrar: “Só quero ser membro de uma organização que não me aceite como membro”. Ao meu caro amigo Chico, que é estudante das leis e da sociedade, lanço o desafio de descobrir quem disse isso e o verdadeiro significado desse aparente paradoxo.
Aos restantes escórias: divirtam-se a vê-lo tentar.
Alego, para não me alongar muito mais, que a minha insurreição é justificada. A minha recusa em aceitar a ordem instituída é elevada não só pelo espírito da própria Escória (este é inegavelmente um apanágio Escória), como por toda a elite reivindicativa que de há anos a esta parte tem vindo a lutar pela igualdade de direitos entre os sexos em todos os momentos do evoluir social e organizacional. Esta reivindicação não é infundada, pois a importância de uma presença feminina foi percebida pelos próprios membros da Escória, dado que, se fossem assim tão avessos à referida presença, não teriam todos, sem excepção, prevaricado.
E para terminar, se o caríssimo amigo ainda não está convencido do elevadíssimo valor da mulher, olhe…
O senhor seu pai que lhe explique!
Cordiais e respeitosos cumprimentos insurrectos,
Joana, a eterna defensora da revisão do estatuto da juventude Escória, de modo a reconhecer juridicamente a existência, legal, da ala feminina.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
ENFIM...
Olá amigos
Para quem ainda não foi ao sitemeter informo que o blogue Escória, apesar de estar um bocadinho abandonado pelos nossos escribas, ultrapassou as 1000 visitas.
O José António Santos pediu-me que solicitasse à Escória uma heresia:
Um jantar duplamente complexo: ALARGADO às famílias e (pelo menos) com ele e a sua própria esposa.
Ou seja, não só alargado (o que já de si... enfim...) como contendo um elemento da elite.
Argumentou que sempre se manteve equidistante entre a elite e a escória, numa tentativa falaciosa de ultrapassar (pelo menos) um quesito importante.
Gostava de deixar à douta Assembleia Escória a chamada "batata quente".
Já agora poderíamos marcar o dito jantar (caso seja aceite (evidentemente)), para Fátima. Porque não? Aproveitávamos para consagrar a Escória à Virgem Maria ( o que acho que nunca foi feito).
Aguardam-se comentários.
Para quem ainda não foi ao sitemeter informo que o blogue Escória, apesar de estar um bocadinho abandonado pelos nossos escribas, ultrapassou as 1000 visitas.
O José António Santos pediu-me que solicitasse à Escória uma heresia:
Um jantar duplamente complexo: ALARGADO às famílias e (pelo menos) com ele e a sua própria esposa.
Ou seja, não só alargado (o que já de si... enfim...) como contendo um elemento da elite.
Argumentou que sempre se manteve equidistante entre a elite e a escória, numa tentativa falaciosa de ultrapassar (pelo menos) um quesito importante.
Gostava de deixar à douta Assembleia Escória a chamada "batata quente".
Já agora poderíamos marcar o dito jantar (caso seja aceite (evidentemente)), para Fátima. Porque não? Aproveitávamos para consagrar a Escória à Virgem Maria ( o que acho que nunca foi feito).
Aguardam-se comentários.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Finalmente conseguiram
Era uma vez uma organização - aparentemente ao serviço de todos nós - onde todos os dirigentes, menos um, pertencem a uma determinada corporação. Até mesmo o chefe máximo. Melhor dizendo, todos os chefes máximos. Ora esse desalinhado, por acaso funcionário da empresa há muitos anos, até era uma espécie do "Cristiano Ronaldo da casa"; ou seja, era um dos melhores (ou o melhor) da europa no seu ofício, situação que provocava uma certa urticária nos seus pares, condenados às tristes figuras que se conhecem. Ora essa cáfila está de parabéns porque conseguiu o seu objectivo. Essa escrecência foi finalmente substituída; pelo menos é o que dizem os jornais. Meus senhores podem finalmente abrir as garrafitas de espumante.
domingo, 30 de setembro de 2007
O bem/mal amado
Há quem o considere o maior.
Há quem o considere o pior.
Que venha o mafarrico e que escolha.
Com a habitual vénia que a sua evocação nos merece, eis um poema de quem sentiu na pele os efeitos da sua governação:
“Ora querem ver agora
O que à ideia me surgiu.
Apesar da Virgem ser virgem
A Virgem também pariu.
Ali, perto de Tondela,
Outra Santa igual a ela
Que foi Santa Comba Dão
Pariu ali num instante
O mais notável tratante
Que hoje é chefe da Nação.
Dizem que um tal Salazar*
Que anda lá pelas Finanças
Não gosta de contradanças
Nem do prazer de fornicar
Mas então se ele é impotente
E não tem pixota humana
Como é que tal sacana
Vai ao cú a tanta gente?
Faça lá o que ele quizer
Mas não tire ao povo, o bago
Agora o nosso Zé
Está fodido e mal pago”
* Vénia Escória, sff.
Há quem o considere o pior.
Que venha o mafarrico e que escolha.
Com a habitual vénia que a sua evocação nos merece, eis um poema de quem sentiu na pele os efeitos da sua governação:
“Ora querem ver agora
O que à ideia me surgiu.
Apesar da Virgem ser virgem
A Virgem também pariu.
Ali, perto de Tondela,
Outra Santa igual a ela
Que foi Santa Comba Dão
Pariu ali num instante
O mais notável tratante
Que hoje é chefe da Nação.
Dizem que um tal Salazar*
Que anda lá pelas Finanças
Não gosta de contradanças
Nem do prazer de fornicar
Mas então se ele é impotente
E não tem pixota humana
Como é que tal sacana
Vai ao cú a tanta gente?
Faça lá o que ele quizer
Mas não tire ao povo, o bago
Agora o nosso Zé
Está fodido e mal pago”
* Vénia Escória, sff.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Portugal no seu melhor (I)
Uns senhores (que se dizem doctores e psicólogos) andam em luta acesa pelo que eles entendem ser uma ideia genial e necessária: distribuição de seringas nas prisões.
Se há coisas que me fazem espécie e não entendo, esta é uma delas.
Ora bem, que eu saiba (e sei,) é proibido consumo, tráfico (obviamente), enfim, é proibido haver droga nas cadeias (e podia ficar-me por aqui). Ou seja, vamos dar seringas aos presos, convidando-os a apontarem uma ao pescoço de um guarda, segurando a bandeira dos direitos dos reclusos e da higiene pública.
Mas compreende-se, dá muito mais trabalho controlar a entrada da droga num estabelecimento prisional (algo parecido com uma fortaleza, cercada por todos os lados, com homenzinhos de metrelhadora na mão...) e realmente, é bem mais fácil passar um atestado de burrice aos presos ( sendo que a maior parte está dentro por serem chicos-espertos) dizendo-lhes “vá, toma lá uma seringazita, mas não a utilizes, ok? Porque se te apanho com droga vamos ter problemas!”.
P.S: foi feita a experiência em questão no Estabelecimento Prisional de Lisboa e adivinhem qual foi o número bem redondinho de presos que aderiram...
Se há coisas que me fazem espécie e não entendo, esta é uma delas.
Ora bem, que eu saiba (e sei,) é proibido consumo, tráfico (obviamente), enfim, é proibido haver droga nas cadeias (e podia ficar-me por aqui). Ou seja, vamos dar seringas aos presos, convidando-os a apontarem uma ao pescoço de um guarda, segurando a bandeira dos direitos dos reclusos e da higiene pública.
Mas compreende-se, dá muito mais trabalho controlar a entrada da droga num estabelecimento prisional (algo parecido com uma fortaleza, cercada por todos os lados, com homenzinhos de metrelhadora na mão...) e realmente, é bem mais fácil passar um atestado de burrice aos presos ( sendo que a maior parte está dentro por serem chicos-espertos) dizendo-lhes “vá, toma lá uma seringazita, mas não a utilizes, ok? Porque se te apanho com droga vamos ter problemas!”.
P.S: foi feita a experiência em questão no Estabelecimento Prisional de Lisboa e adivinhem qual foi o número bem redondinho de presos que aderiram...
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
ANOS 70 ( I )
Nessa época eu, com os meus “quinzanitos”, já dava os primeiros passos no mundo do trabalho, mais precisamente na secção de sobrescritos da Papelaria Fernandes.
Todos conhecemos as histórias das partidas pregadas aos maçaricos, desde “ir buscar a marreta de amaciar borracha”, até “colar os rectângulozinhos nos cartões de 80 colunas, para serem reutilizados”, entre muitas outras, um pouco o equivalente à caça aos gambozinos que mimoseava os amedrontados putos na sua iniciação aos acampamentos.
Como não podia deixar de ser, também me vi envolvido numa cena dessas.
Toca a enquadrar a coisa: Os sobrescritos (basta abrir – planificar – um para perceber) têm um formato específico. São cortados por um molde de ferro, pesando cerca de 15 Kg (o cortante), através de uma máquina de pressão (o balancé). Ora esse cortante deve estar bem afiado para poder lacerar sem falhas a montanha de papel.
No meu primeiro dia de trabalho o “ti” Armando, como era conhecido, chamou-me para me dizer, com um ar muito sério, que uma das minhas funções como aprendiz era levar os cortantes a afiar “ao Beco das Olarias” e, a propósito, já ali tinha o primeiro.
Quando olhei para o monstro (era um dos modelos maiores e mais pesados) comecei a pensar que estava metido num bom sarilho. Enfim, alguém havia de me ajudar, pelo menos, a colocá-lo numa espécie de protecções de madeira que serviam para o transportar.
Nesse momento o chefe chamou-me para me mandar ir buscar qualquer coisa a outra secção e o assunto ficou em suspenso.
Quando voltei já passava do meio-dia e tanto o “ti” Armando como os outros já tinham ido almoçar. Que fazer? Bom, eu não era nenhum mariquinhas e, além disso – atenção - já tinha o quinto ano o que era, no conjunto daquela tropa, chefes e sub-chefes incluídos, o maior nível de habilitações da oficina. Lá arranjei uns apoios, umas cordas, umas capas de papel kraft impermeável para ser mais grosso e, ao fim de algum tempo, lá tinha o cortante devidamente protegido e embalado.
A odisseia seguinte foi conseguir rolá-lo (um cortante tinha, mais ou menos, o formato de um quadrado) durante a centena de metros que separava o pátio das oficinas da paragem do 25, em pleno Largo do Rato. O próprio porteiro, meio aparvalhado, apenas sorriu quando lhe disse que cumpria ordens do “ti” Armando.
Felizmente um grupo de guarda-freios, que estava à sombra das frondosas árvores que ornamentavam o Rato nessa época, ajudou-me a elevar a bisarma até à plataforma da frente do eléctrico. A suar que nem uma besta lá segui até ao Martim Moniz a troco do bilhetinho azul de quinze tostões, bem guardadinho no bolso para mais tarde prestar contas.
Uma vez no Martim Moniz lá foi o resto do “calvário”: Rodar o trambolho Calçada dos Cavaleiros acima, virar à esquerda, ultrapassar umas escadinhas de que a zona é fértil e descobrir, num canto a Serralharia Mecânica das Olarias.
Ainda meio curvado e completamente encharcado de suor ouvi o dono da oficina proclamar um rotundo “Eh cumcaralho estás fodido, que os gajos andam todos à tua procura, já ligaram para cá e tudo. Isso era uma partida para tu te borrares todo e começares a suplicar, com a malta toda a rir. Essas merdas vêm numa carrinha, juntamente com as lâminas de guilhotina”.
Que se foda, pensei, cumpri as ordens que me deram e o resto é conversa.
Pelo sim pelo não, na expectativa de não me pagarem o bilhete, regressei a penates. Preferi passar pela Barros Queirós e, para retemperar forças, emborcar um peppermint fresquinho na Ginginha Rubi.
Quando cheguei o ambiente, apesar do meu receio, era de admiração e de festa. Quem tinha “levado na carola” do chefe, para não ser esperto, era o “ti” Armando. No final, na minha faceta de mini-intelectual em formação e para a glória ser completa, ainda os brindei com a treta de ter sido aquela merda da história da “carta a Garcia” a mentora da minha façanha.
Uma das coisas que me maravilhava nessa oficina era, como não podia deixar de ser, a cagadeira.
Uma coisa como deve ser, quadrada, rentinha ao chão e com uns pequenos ressaltos laterais que permitiam uma perfeita aderência, quer das botas, no Inverno, quer de umas sapatilhas de lona, que mais tarde se vieram a chamar ténis, no tempo quente.
Um gajo cagava acocorado, posição ideal para que a defecação saísse na totalidade. A merda fazia dois sons distintos – lembro-me como se fosse hoje – “paff”, quando batia no ligeiro plano inclinado de louça ou “ploc” quando acertava no buraco perfeitamente centrado dessa peça maravilhosamente fabricada na “Sacavém” – não havia essas paneleirices da “roca” ou do “mantovani” – palavra mágica que aparecia, a azul (uma diagonal perfeita), num dos rebordos que, há muitos anos, já tinham sido brancos.
Uma e outra situação tinham as suas “nuances” escatolófilas: No primeiro caso soltavam-se uns ligeiros vapores perfumados, mais perceptíveis no frio do Inverno. No segundo eram as gotas de água (só água?) que, ao ressaltarem sob o impacto do cagalhão, vinham refrescar o cú assado pelos calores do Estio.
Fica a solene homenagem Escória a essa grande fábrica, infelizmente já substituída por um condomínio fechado (As voltas que o Maior Português de Sempre deve dar na campa rasa de Santa Comba), que parece – dizem, que eu não sei nada dessas coisas – serve de poiso a uma data de directores de finanças da zona (porque será?) e que proporcionou, durante anos e anos, a milhões de compatriotas, cagadeiras para aliviar a tripa, mijadeiras para mudar a água às azeitonas e bidés para lavar as partes.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
D. CARLINHOS II
Era cliente habitual do Egas Moniz. Volta e meia, tumba, já lá estava caído. As razões não interessam porque não são elas as heroínas desta sublime aventura.
O início da coisa ainda está um pouco nebuloso, até porque, não havendo testemunhas credíveis, teremos de fazer fé no relato dos protagonistas.
Início em registo de comédia:
Uma bela noite, após a rotina normal de fim de jornada num grande Hospital Público, o nosso herói, acolitado por um espécime típico da zona da Boa-Hora / Ajuda, na tentativa de fornecer alguma distracção ao passar lento das horas precedentes do madrugador presenciar do rego das mamas da enfermeira que lhe viria mudar o frasco de soro, resolve organizar um grandioso concurso de peidos.
Ei-los que saem, trombeteantes uns, apenas ligeiramente sibilantes, outros. Volta e meia, tal como nas largadas de fogo-de-artifício, um ou mais morteiros estralejantes rompiam o silêncio da noite; o pianno, mezzopianno e o fortíssimo sucediam-se numa brilhante sinfonia a que não faltavam requintes pituitários motivados pelo lançamento de uma ou outra viúva que, por nítida falta de voz, apenas podia marcar presença pelas microscópicas gotículas de vapores de merda, emitidas para a atmosfera.
A festa só parava quando a puta da enfermeira espanhola, alertada pelas manifestações genuínas de felicidade escatolófila destes Portugueses dos quatro costados, aparecia, rosnando o aviso maléfico: “Poñam-se a pau que Su Alteza el príncipe tambien se lhama Filipe, tal como los otros que vos fueram à la peida, y a quatrocientos e tal años.”
Passado o arrepio a fiesta continuava, imune à turba adjacente, alguns mais para lá do que para cá, até ao previsível esgotamento dos gasómetros tripais, num aparente empate técnico, muito ao gosto dos nobres espíritos para quem a “saudável competição é o único mote de qualquer desporto de cavalheiros”.
Não fora o que adiante se transcreve, directamente dos autos oficiais, e pouco mais haveria a dizer…
No entanto…
Eis senão quando, pouco antes do clímax peidoral, em que as girândolas se sucedem a um ritmo avassalador, uma carcaça humana, postada e prostrada na cama em frente aos dois valorosos competidores, resolve, num gesto temerário, entrar no combate.
Dado o estado lastimável da canalização, a que não faltava um esfíncter completamente poroso e encarquilhado, o primeiro tiro transforma-se numa abominável torrente de merda. Ele era no pijama, nos lençóis, desde as fracas canelas até ao queixo tremente que a ausência dos dentes, esses sim, a descansar num copo de água, devidamente estacionado na mesinha de cabeceira, fazia sobressair. Enfim, uma completa desgraça que fez os nossos amigos estremecerem de pânico: “Se esse monte de merda chama a puta, estamos fodidos.”
Se eles o pensaram, melhor o outro o fez; agarrado à campainha, como um náufrago se acolhe ao destroço flutuante, não descansou enquanto a enorme figura da megera não assomou às portas batentes do serviço.
Ainda restava a esperança que, num assomo de dignidade, a pústula humana assumisse a culpa plena. Mas não, com o esquálido dedo espetado, digno de um Mr. Scrogge, esparramou a denúncia pidesca (ou DRENiana, segundo os novos cânones) sobre os valentes desportistas.
Final em drama:
La putéfia, em vez de, com caridade cristã, lavar e vestir o acamado, num gesto de vingança atroz, pega na panóplia de roupas completamente defecadas e dejectadas e coloca-as aos pés dos dois indefesos cidadãos, quais priores do Crato, humilhados sob os canhões de Olivares
Depois disto, só resta o desabafo: Viva Camões! Abaixo Cervantes!
O início da coisa ainda está um pouco nebuloso, até porque, não havendo testemunhas credíveis, teremos de fazer fé no relato dos protagonistas.
Início em registo de comédia:
Uma bela noite, após a rotina normal de fim de jornada num grande Hospital Público, o nosso herói, acolitado por um espécime típico da zona da Boa-Hora / Ajuda, na tentativa de fornecer alguma distracção ao passar lento das horas precedentes do madrugador presenciar do rego das mamas da enfermeira que lhe viria mudar o frasco de soro, resolve organizar um grandioso concurso de peidos.
Ei-los que saem, trombeteantes uns, apenas ligeiramente sibilantes, outros. Volta e meia, tal como nas largadas de fogo-de-artifício, um ou mais morteiros estralejantes rompiam o silêncio da noite; o pianno, mezzopianno e o fortíssimo sucediam-se numa brilhante sinfonia a que não faltavam requintes pituitários motivados pelo lançamento de uma ou outra viúva que, por nítida falta de voz, apenas podia marcar presença pelas microscópicas gotículas de vapores de merda, emitidas para a atmosfera.
A festa só parava quando a puta da enfermeira espanhola, alertada pelas manifestações genuínas de felicidade escatolófila destes Portugueses dos quatro costados, aparecia, rosnando o aviso maléfico: “Poñam-se a pau que Su Alteza el príncipe tambien se lhama Filipe, tal como los otros que vos fueram à la peida, y a quatrocientos e tal años.”
Passado o arrepio a fiesta continuava, imune à turba adjacente, alguns mais para lá do que para cá, até ao previsível esgotamento dos gasómetros tripais, num aparente empate técnico, muito ao gosto dos nobres espíritos para quem a “saudável competição é o único mote de qualquer desporto de cavalheiros”.
Não fora o que adiante se transcreve, directamente dos autos oficiais, e pouco mais haveria a dizer…
No entanto…
Eis senão quando, pouco antes do clímax peidoral, em que as girândolas se sucedem a um ritmo avassalador, uma carcaça humana, postada e prostrada na cama em frente aos dois valorosos competidores, resolve, num gesto temerário, entrar no combate.
Dado o estado lastimável da canalização, a que não faltava um esfíncter completamente poroso e encarquilhado, o primeiro tiro transforma-se numa abominável torrente de merda. Ele era no pijama, nos lençóis, desde as fracas canelas até ao queixo tremente que a ausência dos dentes, esses sim, a descansar num copo de água, devidamente estacionado na mesinha de cabeceira, fazia sobressair. Enfim, uma completa desgraça que fez os nossos amigos estremecerem de pânico: “Se esse monte de merda chama a puta, estamos fodidos.”
Se eles o pensaram, melhor o outro o fez; agarrado à campainha, como um náufrago se acolhe ao destroço flutuante, não descansou enquanto a enorme figura da megera não assomou às portas batentes do serviço.
Ainda restava a esperança que, num assomo de dignidade, a pústula humana assumisse a culpa plena. Mas não, com o esquálido dedo espetado, digno de um Mr. Scrogge, esparramou a denúncia pidesca (ou DRENiana, segundo os novos cânones) sobre os valentes desportistas.
Final em drama:
La putéfia, em vez de, com caridade cristã, lavar e vestir o acamado, num gesto de vingança atroz, pega na panóplia de roupas completamente defecadas e dejectadas e coloca-as aos pés dos dois indefesos cidadãos, quais priores do Crato, humilhados sob os canhões de Olivares
Depois disto, só resta o desabafo: Viva Camões! Abaixo Cervantes!
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Verão
Notícia pela manhã: um grande incêndio (mais de 500ha a arder) na zona de Mértola. Os prometidos grandes meios aéreos (desta vez, segundo o-que-era-ministro-e-agora-é-o-primeiro-da-lista-de-que-o-dr.Mega-é-último, é que era à séria) chegaram tarde. Dificuldades de um governo "power point". Azar. Pensavam que o verãozito chuvoso ía durar até ao dia 15.
Declaração (disclaimer):
Estou a dizer mal do governo baixinho e na minha casa, portanto... com autorização.
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