O Professor costumava dar uma vista de olhos pelas listas da União Nacional antes de serem consideradas oficiais. Perguntava quem era fulano, riscava um nome acrescentava outro e pouco mais. A0 fim e ao cabo tanto fazia. Certa vez reparou em dois nomes com apelidos de família idênticos. Reconheceu-os como pai e filho. Não morrendo de amores pelo filho, informou o seu interlocutor não ser curial ter dois elementos tão chegados da mesma família candidatos na mesma legislatura. Atrapalhado, o homem, desconhecendo a antipatia do Professor pelo filho, retorquiu ser então necessário retirar um. Salazar disse-lhe que seria ele a escolher. O que ele decidisse estaria bem decidido. O fulano, atrapalhado, sugeriu, digamos, por uma questão de futuro, manter o mais novo. Pois seja, você decidiu, e bem, que fica o mais novo e eu decido que o mais novo é o pai.
Adaptado, com a devida vénia, de António de Oliveira Salazar, o outro retrato, de Jaime Nogueira Pinto.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Endividados
A história é simples e conta-se em breves palavras: Numa das televisões generalistas um jovem casal desfaz-se em lágrimas. Passaram a fazer parte desta nova classe que se convencionou chamar os Endividados. A opinião pública, longe de os criticar ou apontar como maus exemplos, defende-os e acusa os horrendos bancos de os terem obrigado a contrair dívidas.
A alusão à culpa dos bancos – já de si ridícula – espelha bem o estado de atrofia a que chegou a sociedade Portuguesa.
Vejamos:
Os dois estão na casa dos vinte e tal. Estão casados ou juntos, já têm um filho e esperam outro. Um dos elementos do casal está desempregado. Não se pode dizer que falte o trabalho, apenas o “emprego”. Têm o crédito da casa, das mobílias, não falta o plasma adquirido para um qualquer campeonato do mundo ou da Europa, a assinatura da SportTv, a lua-de-mel e as férias em Cuba ou na República Dominicana. E o carro, evidentemente, no caso, tem uma história ainda mais típica: Não chegava um chaço em segunda mão ou até um modesto utilitário em primeira. Teve de ser um VW Golf (aí para cima de 17 ou 18 mil euros). Passados poucos meses o chavalito espetou-se contra uma árvore. Tendo essa viatura fama de segura, supõe-se que o menino gosta de acelerar. Como o seguro tem uma franquia e o carro ainda não estava (nem de perto nem de longe) pago, foi necessário mais um empréstimo para, liquidando o anterior, poder receber a indemnização. E, já agora, mais outro (certamente superior, devido às desvalorizações brutais dos automóveis, nos primeiros anos) para um novo popó. No mínimo com os cavalos e as acelerações dos zero aos cem do anterior.
Diz-se para aí que os culpados somos “nós”, a geração dos vinte anos em 74, que, por termos tido vidas menos fáceis, educámos as gerações mais novas neste tipo de vida em que – pensavam - bastou a adesão à CEE para tornar Portugal um país europeu.
É provável que haja alguma razão, pelo menos no que respeita a alguns portugueses.
Mas será isso suficiente para nos incluir a nós, os que até tínhamos provavelmente condições de base para ficar na cepa torta e que soubemos ultrapassar e lutar contra isso, com trabalho árduo, estudo e juizinho no que toca aos gastos, construindo paulatinamente situações que, embora diversas, são dignas e nunca se quedaram consolidadas antes dos 40 anos?
Já chega. Chega de casas para gerações e gerações de ciganos e agora, quem sabe, se calhar a pretexto da culpa dos bancos, ajudas aos endividados. Será que aos nossos filhos alguém vai oferecer casas?
A alusão à culpa dos bancos – já de si ridícula – espelha bem o estado de atrofia a que chegou a sociedade Portuguesa.
Vejamos:
Os dois estão na casa dos vinte e tal. Estão casados ou juntos, já têm um filho e esperam outro. Um dos elementos do casal está desempregado. Não se pode dizer que falte o trabalho, apenas o “emprego”. Têm o crédito da casa, das mobílias, não falta o plasma adquirido para um qualquer campeonato do mundo ou da Europa, a assinatura da SportTv, a lua-de-mel e as férias em Cuba ou na República Dominicana. E o carro, evidentemente, no caso, tem uma história ainda mais típica: Não chegava um chaço em segunda mão ou até um modesto utilitário em primeira. Teve de ser um VW Golf (aí para cima de 17 ou 18 mil euros). Passados poucos meses o chavalito espetou-se contra uma árvore. Tendo essa viatura fama de segura, supõe-se que o menino gosta de acelerar. Como o seguro tem uma franquia e o carro ainda não estava (nem de perto nem de longe) pago, foi necessário mais um empréstimo para, liquidando o anterior, poder receber a indemnização. E, já agora, mais outro (certamente superior, devido às desvalorizações brutais dos automóveis, nos primeiros anos) para um novo popó. No mínimo com os cavalos e as acelerações dos zero aos cem do anterior.
Diz-se para aí que os culpados somos “nós”, a geração dos vinte anos em 74, que, por termos tido vidas menos fáceis, educámos as gerações mais novas neste tipo de vida em que – pensavam - bastou a adesão à CEE para tornar Portugal um país europeu.
É provável que haja alguma razão, pelo menos no que respeita a alguns portugueses.
Mas será isso suficiente para nos incluir a nós, os que até tínhamos provavelmente condições de base para ficar na cepa torta e que soubemos ultrapassar e lutar contra isso, com trabalho árduo, estudo e juizinho no que toca aos gastos, construindo paulatinamente situações que, embora diversas, são dignas e nunca se quedaram consolidadas antes dos 40 anos?
Já chega. Chega de casas para gerações e gerações de ciganos e agora, quem sabe, se calhar a pretexto da culpa dos bancos, ajudas aos endividados. Será que aos nossos filhos alguém vai oferecer casas?
sábado, 19 de julho de 2008
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Quinta da Fonte
Moro no bairro de Alvalade. Vim para cá em 1999 quando a zona já apresenta uma completa uniformidade social. Em 1949, cinquenta anos anos, veio para cá morar, entre outros, um antigo meu professor de História do Camões. Um professor do liceu era - na época - uma figura com muito prestígio. Ora o fulano que me vendeu a casa era, na mesma data, realojado da destruição das pequenas e pobres habitações do que é hoje o Socorro ou Martim Moniz, no seu caso da Travessa do Jogo da Pela. Vieram para a mesma rua, para casas semelhantes. Como esses muitos outros: militares, polícias, gnr's, professores, médicos, juntos com realojados e operários.
Durante o chamado Estado Novo inúmeros Bairros Sociais seguiram o mesmo esquema, com os bons resultados que se conhecem.
Agora temos a merda dos Per's e a repetição (a papel químico) dos erros já cometidos por outros países muitos anos antes. Realmente apetece gritar a plenos pulmões. Venha lá o museu em Santa Comba: Viva Salazar.
Durante o chamado Estado Novo inúmeros Bairros Sociais seguiram o mesmo esquema, com os bons resultados que se conhecem.
Agora temos a merda dos Per's e a repetição (a papel químico) dos erros já cometidos por outros países muitos anos antes. Realmente apetece gritar a plenos pulmões. Venha lá o museu em Santa Comba: Viva Salazar.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
IPO - Capsulas de Café Nespresso
Cápsulas Nespresso & Telas
"Venho solicitar a vossa ajuda para um novo "projecto" do IPO.
No meu turno de voluntariado tivemos a ideia de desenvolver um projecto com as crianças que nos recorda a importância de reaproveitarmos os materiais a custo zero com uma actividade muito criativa.
Vamos fazer esculturas com as cápsulas usadas da Nespresso!
Peço por favor a quem tiver máquinas da nespresso que não deite as cápsulas usadas do café para o lixo, e porquê? Podemos utilizar essas cápsulas, limpá-las, desinfectá-las e vamos fazer umas esculturas e umas telas.
A ideia é reciclar as cápsulas dos cafés e fazer telas e esculturas com elas, dependendo, claro, do número que consigamos arranjar.
Não precisam de as limpar porque nós tratamos disso.
Tentem não as amolgar, porque depois é mais fácil trabalhá-las nas nossas "obras de arte". Vamos estar a aceitar cápsulas até ao final do ano.
Peço-vos que juntem as vossas cápsulas depois de fazer os cafés, pode ser num saco e depois enviem para a Acreditar :
ACREDITAR A/C Filipa Carvalho
Rua Prof. Lima Basto, 731070-210 LISBOA
Telefone: 217 22 11 50
Fax: 217 22 11 51
E-mail:acreditar@acreditar.pt
Maria Cristina Gonçalves Ferreira
Coordenadora Nacional
Um Dia Pela Vida
Liga Portuguesa Contra o Cancro
tlmv + 351 961 508 533
tlfn + 351 217 273 197
"Venho solicitar a vossa ajuda para um novo "projecto" do IPO.
No meu turno de voluntariado tivemos a ideia de desenvolver um projecto com as crianças que nos recorda a importância de reaproveitarmos os materiais a custo zero com uma actividade muito criativa.
Vamos fazer esculturas com as cápsulas usadas da Nespresso!
Peço por favor a quem tiver máquinas da nespresso que não deite as cápsulas usadas do café para o lixo, e porquê? Podemos utilizar essas cápsulas, limpá-las, desinfectá-las e vamos fazer umas esculturas e umas telas.
A ideia é reciclar as cápsulas dos cafés e fazer telas e esculturas com elas, dependendo, claro, do número que consigamos arranjar.
Não precisam de as limpar porque nós tratamos disso.
Tentem não as amolgar, porque depois é mais fácil trabalhá-las nas nossas "obras de arte". Vamos estar a aceitar cápsulas até ao final do ano.
Peço-vos que juntem as vossas cápsulas depois de fazer os cafés, pode ser num saco e depois enviem para a Acreditar :
ACREDITAR A/C Filipa Carvalho
Rua Prof. Lima Basto, 731070-210 LISBOA
Telefone: 217 22 11 50
Fax: 217 22 11 51
E-mail:acreditar@acreditar.pt
Maria Cristina Gonçalves Ferreira
Coordenadora Nacional
Um Dia Pela Vida
Liga Portuguesa Contra o Cancro
tlmv + 351 961 508 533
tlfn + 351 217 273 197
terça-feira, 15 de julho de 2008
Vaso Chinês
Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que carregava nas costas.
Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito.
Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada da fonte até a casa, enquanto que o rachado chegava meio vazio.
durante muito tempo a coisa foi seguindo assim, a senhora chegava a casa somente com um vaso e meio de água.
Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só metade daquilo que deveria fazer.
Depois de dois anos, reflectindo sobre a própria amarga derrota de ser "rachado", o vaso falou com a senhora durante o caminho:
"Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho me faz perder metade da água durante o caminho até a sua casa...
"A velhinha sorriu:
"Você reparou que lindas flores tem somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado.
E todos os dias, enquanto a gente voltava, tu as regavas.
Durante dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa.
Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhosas flores na minha casa."
Cada um de nós tem os seus próprios defeitos.
Mas o defeito que cada um de nós tem, é que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.
É preciso aceitar cada um pelo que é...
E descobrir o que tem de bom nele.
Portanto, meu "defeituoso" amigo lembre-se de regar as flores do seu lado do caminho...
Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito.
Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada da fonte até a casa, enquanto que o rachado chegava meio vazio.
durante muito tempo a coisa foi seguindo assim, a senhora chegava a casa somente com um vaso e meio de água.
Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só metade daquilo que deveria fazer.
Depois de dois anos, reflectindo sobre a própria amarga derrota de ser "rachado", o vaso falou com a senhora durante o caminho:
"Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho me faz perder metade da água durante o caminho até a sua casa...
"A velhinha sorriu:
"Você reparou que lindas flores tem somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado.
E todos os dias, enquanto a gente voltava, tu as regavas.
Durante dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa.
Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhosas flores na minha casa."
Cada um de nós tem os seus próprios defeitos.
Mas o defeito que cada um de nós tem, é que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.
É preciso aceitar cada um pelo que é...
E descobrir o que tem de bom nele.
Portanto, meu "defeituoso" amigo lembre-se de regar as flores do seu lado do caminho...
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